Universo Cultural

Filmes, livros, produções e eventos: divulgando e comentando cultura!!

Virada Cultural vai agitar 19 cidades do interior

Depois da capital, é a vez do interior receber a Virada Cultural Paulista. A segunda edição do evento, promovido pela Secretaria da Cultura do Estado, promete agitar as platéias durante 24 horas de atrações, entre os dias 17 e 18. Confirmaram participação Arnaldo Antunes, Luiz Melodia, Leci Brandão, Danilo Caymmi, Lobão, Mônica Salmaso, Nação Zumbi, Zimbo Trio, Ultraje a Rigor e CPM 22.

Foram escolhidas 19 cidades para sediar os eventos que, segundo o secretário João Sayad, devem atrair público de cidades próximas. Na versão inaugural, no ano passado, 200 mil pessoas participaram das atrações em dez municípios do interior e do litoral.

Como o número de cidades envolvidas praticamente dobrou, a expectativa é de que o público chegue a 500 mil pessoas. Sayad convidou os prefeitos para o lançamento do projeto, amanhã, em São Paulo. De acordo com a secretaria, as atrações também praticamente dobraram neste ano e incluem artistas internacionais.

Além de música, a Virada Paulista apresentará teatro, danças, intervenções urbanas, circo e cinema. Na capital paulista, a Virada Cultural deste ano aconteceu nos dias 26 e 27 de abril. A versão do interior abrangerá também municípios da Grande São Paulo.

Sediam os eventos Araçatuba, Araraquara, Assis, Bauru, Campinas, Caraguatatuba, Franca, Indaiatuba, Jundiaí, Marília, Mogi das Cruzes, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, Santos, São Bernardo do Campo, São João da Boa Vista, São José do Rio Preto, São José dos Campos e Sorocaba.

As apresentações, sempre com entrada gratuita, vão ocorrer em teatros, praças e centros culturais. Em Sorocaba, os shows principais acontecem ao ar livre, na pista de caminhada do Parque Campolim.

ALGUMAS ATRAÇÕES

Arnaldo Antunes
Luiz Melodia
Leci Brandão
Danilo Caymmi
Lobão
Mônica Salmaso
Nação Zumbi
Zimbo Trio
Ultraje a Rigor
CPM 22

(Fonte:http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080506/not_imp167809,0.php)

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maio 6, 2008 Posted by | Atividades Culturais | , | Deixe um comentário

Leia trecho do livro “Cartas a uma Jovem Atriz”, de Marília Pêra

Uma série de conselhos para quem está às vésperas de decidir sua carreira – ou mesmo para quem está em dúvida sobre a que escolheu – é a tônica da coleção “Cartas a um Jovem”, do selo Campus-Elsevier, que tem sua mais recente publicação direcionada a jovens atrizes e assinada por Marília Pêra.

Reprodução

Capa do livro da coleção “Cartas a um Jovem” assinado por Marília Pêra

Entre os 16 volumes lançados até o momento, há “cartas” do estilista Alexandre Herchcovitch, do psicanalista Contardo Calligaris e do chef Laurent Suaudeau.

Em “Cartas a uma Jovem Atriz”, Marília Pêra narra momentos de sua vida e as experiências que teve – desde a infância, na qual se destaca a influência de seus pais, atores, em sua formação artística, até a fase adulta, quando o leitor pode tomar contato com um pouco da história da dramaturgia brasileira.

Leia a seguir trecho do livro.


Bela e jovem atriz,

Digo que você é bela porque todas as atrizes verdadeiras são belas e sei que é jovem porque sinto, por seus e-mails, que é uma menina…

Ainda não vi uma foto sua, mas imagino que Sonia, Hedda, Catarina, Helena, Margarida e tantos outros personagens de Tchekhov, Ibsen, Shakespeare, Machado de Assis, Millôr Fernandes, Roberto Athayde, Miguel Falabella, Manoel Carlos, Aguinaldo Silva, João Emanuel Carneiro e muitos mais devem habitar seu desejo inconsciente de aliar inteligência e dignidade à beleza da forma, de maneira tal que todos os homens, nas platéias e nas telas, se apaixonem por você. E todas as mulheres. E as crianças…

Eu não me achava bonita.

No comecinho da vida, sim, quando meus pais, Manuel Pêra e Dinorah Marzullo, também atores, comungavam a casa com o teatro e havia ali alguma harmonia.

Você me pergunta se, para ser atriz, é preciso ter o dom no sangue. Bem, no meu caso, fui preparada por meu pai e minha mãe para entrar em cena.

Minha primeira peça foi Medéia, de Eurípides. A companhia se chamava Os Artistas Unidos e era estrelada por uma atriz extraordinária, Henriette Morineau.

Nós todos a chamávamos de madame Morineau e sentíamos por ela uma mistura de amor e medo. Era “uma atriz trágica”, assim se dizia. Ela dirigia todos os espetáculos. As atrizes, antigamente, escolhiam o texto, produziam, dirigiam e estrelavam os espetáculos realizados por suas companhias de teatro.

As atrizes, hoje, escolhem o texto, produzem, estrelam, mas não têm vontade ou coragem de dirigir seus espetáculos em suas companhias de teatro; são mais dependentes, hoje, de um diretor, do que no tempo de madame Morineau, de Dulcina de Moraes e de Bibi Ferreira que, desde menina-atriz, era também diretora.

Só algumas se arriscam a dirigir, hoje. Sou uma delas.

Madame Morineau era trágica porque interpretava personagens sérios, mulheres angustiadas, misteriosas, doentes.

Havia uma peça que se chamava O Pecado Original, de Jean Cocteau, na qual ela interpretava uma mulher diabética que espetava a própria coxa com injeções de insulina. Era um personagem que exigia muito esforço físico e, ao final de cada espetáculo, madame Morineau permanecia uns quarenta minutos meio “desmaiada”, se recuperando no camarim, antes de se arrumar e receber o público que desejava cumprimentá-la.

Essa atriz “trágica”, aos sábados e domingos, às dez da manhã, colocava um nariz postiço, uma peruca preta desgrenhada, e se transformava na bruxa da peça infantil “O Casaco Encantado”, de Lúcia Benedetti. Meu pai era o bruxo; minha mãe, a princesinha; e eu, o pajem do Rei.

Depois do espetáculo infantil, almoçávamos e, mais tarde, às vezes, ensaiávamos – e à noite, meus pais, madame Morineau, eu e todo o elenco “recebíamos” nossos personagens trágicos de Medéia, ou nossos personagens extremamente “psicologizados” de Frenesi, de Charles de Peyret-Chappuis, ou conturbados, como os de “O Pecado Original” e do clássico de Tennessee Williams, “Uma Rua Chamada Pecado” – título que madame preferia ao mais conhecido “Um Bonde Chamado Desejo”.

Acho que pecado era uma palavra que interessava ao grande público: constava de dois títulos de espetáculos de sucesso da época.

Em “Uma Rua Chamada Pecado”, não havia papel de criança. Eu não entrava, mas assistia à encenação todos os dias das coxias, lugar mágico, minha escola de teatro.

Minha mãe, que tem 88 anos, não sabe ao certo se eu tinha quatro ou cinco anos quando estreei em teatro interpretando a filha de Medéia; portanto, pode ter sido em 1947 ou 1948.

Madame Morineau interpretava Medéia. Meu pai, falecido em 1967, era Jasão, marido de Medéia, e minha mãe interpretava “o coro” com outras duas atrizes: Margarida Rey e Antoinette Morineau, filha de madame Morineau.

Quando entrei em cena pela primeira vez, não tinha noção do que fazia, mas fazia direitinho o que me mandavam.

Tenho uma vaga lembrança de minha mãe colocando uma fita de cetim branco ao redor de minha cabeça e me vestindo uma túnica grega, também branca. Eu era um dos dois filhos de Medéia.

Creio que foi meu pai quem me deu as primeiras dicas para entrar em cena, embora a diretora fosse madame Morineau.

Eu tinha que entrar pelas mãos de um ator mineiro chamado João Ceschiatti, ao lado do meu “irmão”, o outro filho de Medéia.

Havia uma rampa no fundo do palco e os atores precisavam galgá-la para se tornarem visíveis ao público. Ceschiatti ficava ao centro, e eu e meu “irmão”, cada um de um lado. Essa rampa me parecia enorme, mas hoje, pensando sobre isso, imagino que meu ponto de vista de menina aumentava sua extensão.

Meus pais faziam parte dessa companhia de teatro que se apresentava por todo o Brasil com vários espetáculos. As peças das quais eu participava eram “Medeia”, “Frenesi” e “O Casaco Encantado”.

Acho que a cada semana se apresentava uma delas. Aos sábados e domingos, pela manhã, encenávamos “O Casaco Encantado” e havia algumas peças das quais eu não participava.

Meu pai era 24 anos mais velho do que minha mãe. Por isso, no teatro, ele era sempre marido ou amante de outras, enquanto minha mãe interpretava namorada de outros, ou criadinha sapeca, ou fazia parte do coro de belas.

Essa diferença entre meu pai e minha mãe – ele, sério, meio mal-humorado, e ela, brejeira, jovem, comunicativa – tinha alguma semelhança, em meu universo emocional, com as máscaras da tragédia e da comédia. Talvez por isso, pelo fato de precisar entender e amar duas pessoas tão diametralmente opostas, e porque passei a infância vendo os dois e outros grandes atores se dividindo entre os mais variados gêneros; desde que tive alguma consciência das coisas, acreditei que uma atriz verdadeira pudesse dar conta de todos os tipos de personagens, do trágico ao cômico, do musical à chanchada.

(Fonte: http://diversao.uol.com.br/ultnot/livros/trechos/2008/05/05/ult5747u8.jhtm)

maio 6, 2008 Posted by | Literatura | , , | Deixe um comentário

‘Me sinto tão feliz quanto nervoso’, diz Fernando Meirelles sobre Cannes

O diretor brasileiro Fernando Meirelles recebeu nesta terça-feira (29), com surpresa, a notícia de que havia sido incluído na seleção oficial do Festival de Cinema de Cannes e que seu filme mais recente, “Ensaio sobre a cegueira”, disputaria a Palma de Ouro. Mas as novidades não pararam por aí: a produção ainda foi selecionada para abrir o evento, o que dificilmente acontece com os filmes em competição.

“Me sinto tão feliz quanto nervoso com esse espaço que nos foi dado. Sei que ‘Ensaio sobre a cegueira’ não é o filme mais adequado para anteceder um coquetel e uma festa e sei também que algumas pessoas se sentirão incomodadas com a história, apesar de não haver nada que seja apelativo ou de mau gosto no filme. De qualquer maneira, já estou preparando o espírito para uma possível artilharia”, afirma o diretor.

Ele conta que houve um impasse entre o festival e o distribuidor francês do filme, antes da decisão final de selecioná-lo tanto para competição quanto para a abertura. “Há 15 dias fomos colocados numa espécie de limbo em relação a Cannes. Houve um convite para ‘Ensaio sobre a cegueira’ abrir o festival, mas o distribuidor francês não aceitou, por achar que o filme deveria estar na competição. Instalou-se assim um impasse. Finalmente, foi aberta uma exceção e exibiremos o filme em competição.”

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Meirelles aproveitou ainda para destacar a forte participação latino-americana no festival e se disse orgulhoso por fazer parte dela. “Em 2003, andei dizendo que havia uma onda de cinema latino-americano formando-se e confesso que me frustrei um pouco nos anos seguintes, por não ver confirmada minha sensação. Ao ver esses 21 filmes latino-americanos nas diversas seleções de Cannes, começo a achar que aquela onda finalmente emergiu e está mostrando sua cara. Me sinto muito orgulhoso de estar ajudando a formar um pouco desta espuma que agora se mostra.”

Além de Meirelles, Walter Salles e Matheus Nachtergaele, em sua primeira investida como diretor, já haviam sido divulgados como tendo seus filmes no festival de cinema.

Baseado no livro de José Saramago, o longa é uma co-produção entre Brasil, Japão e Canadá, e foi rodado em várias partes do mundo, inclusive em São Paulo.
A história trata de uma epidemia de cegueira, sem motivo aparente e sem cura, que se espalha por diversas cidades do mundo. E a única pessoa que ainda consegue enxergar é a mulher de um médico, interpretada por Julianne Moore. No elenco, além dela, estão Mark Ruffalo, Alice Braga, Danny Glover e Gael Garcia Bernal, entre outros.

(Fonte: http://g1.globo.com)

maio 6, 2008 Posted by | cinema | | 1 Comentário