Universo Cultural

Filmes, livros, produções e eventos: divulgando e comentando cultura!!

Livro de Saramago não deveria ter sido adaptado, diz “Variety”

O longa-metragem “Ensaio sobre a Cegueira”, adaptado para o cinema pelo diretor brasileiro Fernando Meirelles, não deveria ter recebido uma versão cinematográfica, segundo crítica da revista americana especializada em entretenimento “Variety”.

A publicação americana foi a mesma que criticou duramente o filme “Tropa de Elite”, do brasileiro José Padilha. A crítica, assinada por Jay Weissberg, chegou a dizer que o filme tinha um estilo “Rambo” e comparou o Bope à SS, uma divisão repressiva do regime nazista.

Divulgação

Em seguida, a produção ganhou o Urso de Ouro em Berlim e Padilha se defendeu, disse que foi mal interpretado por críticos, rebateu especificamente as críticas da “Variety” e afirmou que o texto da revista americana foi “estúpido”.

O texto sobre “Ensaio sobre a Cegueira”, assinado por Justin Chang, começa com a história de que José Saramago, prêmio Nobel de Literatura, relutou em permitir que sua obra fosse adaptada para o cinema. “Meirelles provou que os instintos do escritor português estavam tristemente corretos”, emenda em seguida o autor da crítica após a explicação.

Chang também escreve que o filme diminuiu o impacto da trama de Saramago e que possui um excesso de tiques estilísticos.

O autor, um tanto repetitivo ao dizer que o longa-metragem enfraquece a história, destaca a atuação de Julianne Moore e alguns pontos do filme, como uma cena de violência sexual e a fotografia.

(Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u401932.shtml)

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maio 26, 2008 Posted by | cinema | , | Deixe um comentário

Velhas Guardas – Os Encontros


O documentário Velhas Guardas – Os Encontros, de Joatan Vilela Berbel aporta este mês na cidade luz para participar da 10ª edição do Festival de Cinema de Paris. Na trilha do filme O mistério do samba, dirigido por Carolina Jabor e Lula Buarque de Hollanda, exibido em Cannes, o documentário de Joatan levará para Paris momentos únicos de quem faz com paixão e fé o famoso carnaval do mundo.
De uma forma jamais mostrada, o documentário leva com delicadeza ao grande público os encontros, as confraternizações, a religiosidade e um emocionante show que reúne no mesmo local bambas do samba de tradiocionais escolas de samba do Rio como Mangueira, Salgueiro, Portela, Império Serrano e Vila Isabel.
Velhas Guardas – Os Encontros é um filme gravado em video digital, editado em hd digital com som mixado em dolby stereo 5.1 conta com as participações de ícones do samba carioca como Dona Ivone Lara, Nelson Sargento, Monarco, Baianinho, Zuzuca e Alvinho da Mangueira, este último narrador do documentário aprovado pela turma do samba como, por exemplo, o jornalista Ricardo Cravo Albin.

O diretor

Joatan Vilela Berbel foi Presidente da Associação Brasileira de Documentaristas nos anos 80, realizou diversos documentários tendo como destaque o curta Eunice, Clarice, Tereza sobre as três viúvas de presos políticos assassinados nos porões da ditadura militar – Rubem Paiva, Vladimir Herzog e Manuel Fiel Filho. Realizou documentários sobre a questão agrária no Brasil com a participação de Antonio Calado e um curta metragem sobre o caricaturista Chico Caruso, em 1984

(Juliana Aquino)

Uma pequena mostra do documentário pode ser encontrada no You Tube, nesse link:
http://www.youtube.com/watch?v=KXMKQQQa_m0

maio 26, 2008 Posted by | cinema | , | 1 Comentário

Em Cannes, Rodrigo Santoro defende o cinema brasileiro

Flávia Guerra, enviada especial a Cannes

'Leonera'

Santoro lança seu novo filme: ‘Leonera’

CANNES, França – “Estou muito feliz de estar aqui com dois filmes. É um momento muito especial para o cinema brasileiro e latino-americano. E saiba você que o cinema brasileiro não é todo feito para ser globalizado e internacional. Ha muitos filmes que não são feitos pensando no mercado. Um deles, que recomendo a você, é A Festa da Menina Morta, de um grande ator chamado Matheus Nachtergaele. Ele concorre aqui e passa no dia 21 na sessão do Certain Regard. Não perca”, disse Rodrigo Santoro nesta quinta-feira, 15, em Cannes.

O ator respondia a um jornalista que, na coletiva de imprensa de seu mais novo filme, Leonera (do argentino Pablo Trapero, diretor de filmes como de Familia Rodante, que concorre a Palma de Ouro), comentou: “Parabéns ao cinema argentino. Diferentemente do cinema mexicano e brasileiro, ainda consegue fazer bons filmes locais e não se render “à internacionalização”.

Em Leonera, Rodrigo faz o papel de Ramiro, um rapaz apaixonado por Julia (Martina Gusman) que, por amor, acaba cometendo um crime. Ramiro e Julia vão para a prisão. E Julia acaba dando a luz a um menino. “Foi uma preparação interessante. Porque tenho poucas, mas significativas, cenas no filme. Estabelecer a relação entre Ramiro, Julia e um filho menino que nasce em uma prisão em tao pouco tempo na tela foi um desafio muito bom”, comentou o ator.

Como explicou Rodrigo, é sobre os primeiros anos de vida do filho que Julia tem na prisão, e de como criar uma criança no ambiente hostil de uma cadeia, que Leonera fala com delicadeza e sem apelar para a pieguice. “Depois que eu tive meu filho, passei a prestar mais atenção a este universo. E quis também falar desta relação, esta ligação única, que só as mulheres têm. A relação entre pai e filho é muito diferente da entre mãe e filho”, declarou o diretor argentino, um dos nove realizadores do país que estão exibindo seus filmes em Cannes. “Fico também muito feliz com a boa fase do cinema argentino, latino-americano, e também do brasileiro. É importante ter esta janela para o mundo.”

Rodrigo, que também vive Raul (o irmão de Fidel Castro) em Che, super produção de Steven Soderbergh (que será exibido no dia 21), contou que ainda não viu este novo filme, mas que está ansioso. “Ouvi coisas ótimas a respeito. Mas Steven ainda não mostrou para a gente. Vou ver com todos, na sessão para o público”, contou o ator, que na quarta-feira à noite prestigiou a festa de Blindness, de Fernando Meirelles.

Após a sessão de gala, que rendeu mais de cinco minutos de aplauso ao filme de abertura do festival, Meirelles e equipe jantaram no Hotel Carlton e receberam os convidados em uma festa na praia. O espaço da Plage do Carlton contou com a presença de Julianne Moore, Alice Braga, Danny Glover, Gael Garcia Bernal e outros. E o filme saiu com gosto de, como observou o jornalista chileno, “cozinha internacional”, mas de altíssima qualidade.

(Fonte: http://www.estadao.com.br/arteelazer/not_art173094,0.htm)

maio 15, 2008 Posted by | cinema | , , , , | Deixe um comentário

‘Me sinto tão feliz quanto nervoso’, diz Fernando Meirelles sobre Cannes

O diretor brasileiro Fernando Meirelles recebeu nesta terça-feira (29), com surpresa, a notícia de que havia sido incluído na seleção oficial do Festival de Cinema de Cannes e que seu filme mais recente, “Ensaio sobre a cegueira”, disputaria a Palma de Ouro. Mas as novidades não pararam por aí: a produção ainda foi selecionada para abrir o evento, o que dificilmente acontece com os filmes em competição.

“Me sinto tão feliz quanto nervoso com esse espaço que nos foi dado. Sei que ‘Ensaio sobre a cegueira’ não é o filme mais adequado para anteceder um coquetel e uma festa e sei também que algumas pessoas se sentirão incomodadas com a história, apesar de não haver nada que seja apelativo ou de mau gosto no filme. De qualquer maneira, já estou preparando o espírito para uma possível artilharia”, afirma o diretor.

Ele conta que houve um impasse entre o festival e o distribuidor francês do filme, antes da decisão final de selecioná-lo tanto para competição quanto para a abertura. “Há 15 dias fomos colocados numa espécie de limbo em relação a Cannes. Houve um convite para ‘Ensaio sobre a cegueira’ abrir o festival, mas o distribuidor francês não aceitou, por achar que o filme deveria estar na competição. Instalou-se assim um impasse. Finalmente, foi aberta uma exceção e exibiremos o filme em competição.”

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Meirelles aproveitou ainda para destacar a forte participação latino-americana no festival e se disse orgulhoso por fazer parte dela. “Em 2003, andei dizendo que havia uma onda de cinema latino-americano formando-se e confesso que me frustrei um pouco nos anos seguintes, por não ver confirmada minha sensação. Ao ver esses 21 filmes latino-americanos nas diversas seleções de Cannes, começo a achar que aquela onda finalmente emergiu e está mostrando sua cara. Me sinto muito orgulhoso de estar ajudando a formar um pouco desta espuma que agora se mostra.”

Além de Meirelles, Walter Salles e Matheus Nachtergaele, em sua primeira investida como diretor, já haviam sido divulgados como tendo seus filmes no festival de cinema.

Baseado no livro de José Saramago, o longa é uma co-produção entre Brasil, Japão e Canadá, e foi rodado em várias partes do mundo, inclusive em São Paulo.
A história trata de uma epidemia de cegueira, sem motivo aparente e sem cura, que se espalha por diversas cidades do mundo. E a única pessoa que ainda consegue enxergar é a mulher de um médico, interpretada por Julianne Moore. No elenco, além dela, estão Mark Ruffalo, Alice Braga, Danny Glover e Gael Garcia Bernal, entre outros.

(Fonte: http://g1.globo.com)

maio 6, 2008 Posted by | cinema | | 1 Comentário

Atores e produtores negociam sem previsão de acordo nos EUA

Sem qualquer tipo de acordo à vista, os atores de Hollywood continuarão negociando na próxima semana os termos de seu contrato com a aliança de produtores, anunciaram ambas as partes nesta sexta-feira, após três semanas de negociação.

O Sindicato dos Atores de Cinema e Televisão (SAG) e a Aliança de Produtores de Cinema e Televisão (AMPTP) começaram a negociar no dia 15 de abril e desde então a imprensa especializada tem especulado sobre os obstáculos entre os dois lados para chegar a um acordo.

Em um comunicado conjunto emitido nesta sexta-feira, o SAG e a AMPTP anunciaram sua decisão de continuar negociando na próxima semana.

“Ainda que as duas partes tenham passado uma grande quantidade de tempo na sala de negociações, ainda não estamos perto de um acordo”, informou a AMPTP em um comunicado.

No dia 30 de junho vence o contrato que une a SAG e a AMPTP e que define as condições salariais dos atores que trabalham no cinema e na televisão nos Estados Unidos.

Nomes de peso como George Clooney e Meryl Streep pressionaram o SAG nos últimos meses para que as negociações fossem iniciadas o mais rápido possível, evitando assim o risco de uma nova paralisação na indústria, que ainda não se recuperou totalmente da greve dos roteiristas, que durou mais de três meses.

O Sindicato dos Atores, da mesma forma que os roteiristas em greve, buscam aumentos salariais relativos às vendas de filmes e séries divulgados nas novas plataformas digitais e em sites.

maio 3, 2008 Posted by | cinema | Deixe um comentário

“Tropa de Elite” é o grande vencedor de premiação no Rio de Janeiro

LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online no Rio

Ganhador do Urso de Ouro no último festival de Berlim, o filme “Tropa de Elite”, do diretor brasileiro José Padilha, se tornou nesta terça-feira o grande vencedor do Grande Prêmio Vivo do Cinema Brasileiro.

Divulgação
“Tropa de Elite” conquistou nove prêmios no Grande Prêmio Vivo do Cinema Brasileiro

O longa-metragem levou nove prêmios, mas não o de melhor longa-metragem de ficção, conquistado por “O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias”, de Cao Hamburguer, produção que representou o Brasil no último Oscar. Apesar de ter ficado entre os nove pré-selecionados, o filme não chegou aos cinco finalistas do prêmio americano.

“Tropa de Elite” levou efeito especial, montagem para ficção, maquiagem, fotografia, ator coadjuvante, melhor filme nacional, som, ator e direção.

Melhor ator

Favorito para melhor ator, Wagner Moura, que interpretou capitão Nascimento em “Tropa de Elite”, foi anunciado sem surpresas para receber o prêmio.

“Desde o começo, quando peguei o roteiro do filme, já achava que ele tratava de um assunto importante e isso aconteceu mesmo, discutiu-se o ‘Tropa de Elite’ da porta do botequim ao ambiente acadêmico. Tivemos debates duríssimos e aprendi muito”, disse Moura.

O diretor do filme, José Padilha, não compareceu ao evento.

Outros prêmios anunciados foram de fotografia, que foi para Lula Carvalho, de “Tropa de Elite”. Carvalho concorria com seu pai, que disputava o prêmio com dois filmes, “Céu de Sueli” e “Santiago”.

“Zuzu Angel” conquistou o melhor figurino e o ator e humorista Renato Aragão foi homenageado no evento.

abril 18, 2008 Posted by | cinema | Deixe um comentário

Drama familiar abre o Cine Ceará

O 18º Cine Ceará teve um bom início com as apresentações de “Elegia Friulana”, fora de concurso, e o primeiro longa-metragem em competição, “Nossa Vida Não Cabe Num Opala”. “Elegia Friulana” é da autoria de Fernando Birri, um dos documentaristas referenciais entre seus pares e fundador de duas das mais importantes escolas de cinema do mundo – a Documental de Santa Fé, na Argentina, e a de Cinema e Vídeo de San Antonio de los Baños, em Cuba. No filme, Birri faz uma homenagem aos seus ancestrais italianos, que viveram naquela região e, em especial, ao avô, deportado da Itália para a Argentina em razão de suas idéias anarquistas.
O filme é composto de imagens de época, mescladas a filmagens contemporâneas da região. Compõe um painel poético e político atravessado por um canto anarquista que diz ser a “a Terra a nossa pátria e a liberdade a nossa lei”. Tradução perfeita das idéias libertárias que acabaram não vingando no mundo das coisas reais, mas que compõem um horizonte de esperança, um programa para quem, como Birri, “ainda não perdeu a esperança em um outro mundo possível”, como disse no palco.
A grande surpresa da noite foi a apresentação de “Nossa Vida Não Cabe Num Opala”, de Reinaldo Pinheiro. Houve quem pensasse se tratar de uma comédia, em especial pelo fato de Pinheiro haver feito, anos atrás, um curta de sucesso chamado “BMW Vermelha”, com um hilário Otávio Augusto no papel do favelado que ganha um carrão num concurso e não sabe o que fazer com ele. Pois bem, nada a ver. O longa, baseado numa peça de Mário Bortolotto, pende mais para a tragédia, embora tenha seu lado cômico, em geral de humor negro.
É a história de uma família de quatro irmãos (três homens e uma mulher). Os rapazes vivem no limite da criminalidade, dedicando-se ora ao furto de carros ora ao boxe, mas esse boxe de periferia, fora do circuito oficial, quase um vale-tudo sórdido. A mulher (Maria Manoella) é uma pianista de churrascaria, vítima constante do assédio masculino. Muito bem ambientado, numa região qualquer da pequena classe média decadente de São Paulo, nos confins da periferia – mas não dentro dela. Não são favelados, também não chegam a classe média. Os rapazes são obcecados pela memória de um pai que já morreu (Paulo César Pereio) e lembram um pouco a família Parondi, de “Rocco e Seus Irmãos”.
Aliás, indagado sobre esse possível diálogo com Visconti, o diretor Reinaldo Pinheiro responde que efetivamente que “Rocco” é uma das matrizes do filme e que ele pediu que a equipe toda assistisse ao clássico de Visconti. “É também uma das referências de Bortolotto, o autor da peça”, afirma o diretor. Mas, claro, influências são assim; elas se somam e se diluem em contextos completamente diferentes. Se Visconti usava a sua família em desagregação para falar do conflito entre o sul subdesenvolvido e o norte industrializado na Itália, Pinheiro traz o seu núcleo de personagens para mostrar um país socialmente dilacerado no interior de uma mesma cidade.
O diretor contou ainda uma curiosidade a respeito do título. Disse que, quando estava tudo pronto, um advogado lembrou que para fazer o filme com o título original da peça – “Nossa Vida Não Vale Um Chevrolet” – eles teriam de pedir autorização para a General Motors. Houve várias reuniões com os executivos da empresa norte-americana e não se chegou a um acordo. Um dos diretores disse ao cineasta: “Você acha que a gente gasta milhões de dólares para manter a marca do Chevrolet e vamos vê-la num filme que fala da dissolução da família?”. E não autorizaram.
Reinaldo teve de mudar para o título aproximado de “Nossa Vida Não Cabe Num Opala”. Mas, mais uma vez, foram obrigados a falar com a empresa. E agora o resultado foi positivo. Deram sinal verde, com duas explicações: Opala é um produto, não uma marca; além disso, esse carro já está fora de linha. Reinaldo aceitou com um humor a decisão: “O filme também é fora de linha.” De fato.

abril 15, 2008 Posted by | cinema | Deixe um comentário

Lançamento em DVD – “Não Amarás” de Krzystof Kielowski (Rubens Edwald Filho)

SINOPSE
Tom, um jovem que trabalha nos correios, espia de binóculos a bela e mais velha vizinha por quem é apaixonado, Magda. O enamorado começa a lhe enviar bilhetes e fazer telefonemas.


COMENTÁRIOS
Em 1988, o diretor Krzystof Kielowski (1941-96) realizou a minissérie de televisão “O Decálogo”, em dez episódios com cerca de 50 minutos cada um. Apesar de inspirados nos Dez Mandamentos, nenhum dos capítulos traz o preceito religioso indicado, tendo apenas o número como indicação no título original. Duas partes da obra televisiva foram expandidas em curtas-metragens de grande sucesso, este e “Não Matarás”.

O filme foi consagrado no 46º Festival de Veneza como uma obra-prima. A série foi exibida no Brasil pela TV Cultura, mas nunca saiu em vídeo. Nos Estados Unidos, também foi lançada em vídeo, mas só em 2000 foi apresentada no circuito de salas de arte com sucesso notável de crítica.

Em toda a série foi utilizada a mesma equipe técnica, com apenas uma exceção marcante: o diretor de fotografia, diferente a cada episódio.

Para se situar melhor, é bom para o espectador entender o momento que a Polônia, país intensamente católico, vivia quando a obra foi feita, ainda sob o jugo do regime comunista.

Toda a ação se passa num conjunto de apartamentos de classe média e as vidas dos 25 personagens se entrecruzam. A narrativa fica entre a crônica e a metafísica, mas basicamente é um drama existencial advindo do cotidiano, em que a avidez, o engano, o sexo, a mentira, a traição, o assassinato e o furto se fazem presentes.

Por vezes, a moral da história é muito explícita, mas os personagens nunca são julgados, eles já vivem num inferno criado por si mesmos, por sua “liberdade de escolha”.

Kiewslowski apresenta uma maneira particular de filmar, sempre atento a detalhes – um copo que cai, um menino olhando uma pomba, um goteira no hospital – com uma extraordinária sensibilidade, que parece ser única entre seus contemporâneos.

O trabalho dos atores é de uma enorme naturalidade, sem jamais cair nas armadilhas clichês do telefilme americano. Embora praticamente todas as histórias tenham um final surpreendente ou irônico, elas constituem antes de tudo um grande painel do comportamento humano.

No contraponto ao que cinema norte-americano nos ensinou a ter certas expectativas, Kieslowski surpreende sempre – de forma tão extraordinária, tão pouco usual e infelizmente ainda quase desconhecida – que fica difícil escolher um preferido. Este filme singelo e delicado é das mais belas historias de amor do cinema.

Título original : Krotki Film o Milosci (Polônia, 1988)
Diretor: Krzysztof Kieslowski
Elenco: Olaf Lubaszenko,Grazyna Szapolowska.
Extras: Sinopse, biografia, trailer.
Idioma: Polonês
Legendas: Português
Gênero: Romance
Duração: 82 min. Cor
Distribuidora: Platinum

março 29, 2008 Posted by | cinema, Lançamentos DVD | Deixe um comentário