Universo Cultural

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Prêmio Escriba – Poesia, divulga regulamento

Continuam abertas as inscrições para o X Prêmio Escriba de Poesia. A Assessoria de Imprensa da Biblioteca Municipal de Piracicaba, divulgou o regulamento que segue a baixo. Contato pelo email bibliotecadepiracicaba@hotmail.com ou pelo fone (19) 3433-3674.

REGULAMENTO DO X PRÊMIO ESCRIBA DE POESIA – 2008

01 – O X PRÊMIO ESCRIBA DE POESIA (Lei nº 4375, de 18 de dezembro de 1997) é promovido pela Prefeitura do Município de Piracicaba, através da Secretaria Municipal da Ação Cultural, com objetivo de dar oportunidade de expressão e manifestação a todo segmento de público.

02 – As poesias serão inscritas mediante o cumprimento das seguintes exigências:

  1. Os concorrentes deverão ter idade mínima de 15 (quinze) anos;
  2. Os participantes deverão apresentar 03 (três) trabalhos originais, (não há necessidade de ineditismo) em português, de autoria própria, versando sobre temas gerais, digitados em papel A4 (sulfite), de um lado só, com fonte legível, 05 (cinco) vias, sem limites de páginas, versos ou estrofes;
  3. Cada poesia deve ter somente o título e o pseudônimo do autor;
  4. Em envelope anexo, lacrado, deverão vir os dados do autor: Nome completo, pseudônimo, idade, endereço completo, inclusive CEP, DDD, telefone, RG, CPF, profissão, grau de escolaridade, se caso possuir, um pequeno currículum literário, o título dos trabalhos inscritos. E um disquete com os trabalhos. Por fora apenas o pseudônimo usado e o título dos trabalhos inscritos; bem como tomou conhecimento do PRÊMIO ESCRIBA DE POESIA;
  5. Os trabalhos pornográficos e eróticos serão sumariamente excluídos;
  6. As inscrições estarão abertas a partir de 22 de abril de 2008 até 20 de junho de 2008, na BIBLIOTECA PÚBLICA MUNICIPAL DE PIRACICABA, RUA DO ROSÁRIO, 833, CEP 13400-183, CENTRO – PIRACICABA, SP, TEL e FAX. 0xx19 3433 3674, 3434 9032 e 3432 9099;

03 – Os concorrentes de outras localidades poderão fazer a inscrição pelo correio, valendo a data do carimbo postal como prazo final de inscrição;

04 – A Secretaria Municipal da Ação Cultural, indicará um júri constituído de 05 (cinco) elementos de reconhecida capacidade intelectual, atuante no ramo, que procederá a seleção dos trabalhos inscritos, classificando as 30 (trinta) melhores poesias. Os trabalhos não classificados serão incinerados após a seleção e premiação;

05 – As 30 (trinta) poesias selecionadas serão reunidas em Antologia, que será editada pela Secretaria Municipal da Ação Cultural e oferecida aos participantes e entidades culturais sem custos adicionais;

06 – Aos classificados não será paga nenhuma taxa monetária a título de direitos autorais;

07 – A Secretaria Municipal da Ação Cultural se reserva o direito de veicular a Antologia da maneira que melhor lhe aprouver, sem fins lucrativos;

08 – Em cerimônia previamente marcada serão conferidos: Troféu Escriba (escultura em bronze de Arayr Ferrari), para os 03 (três) primeiros classificados e prêmios em dinheiro no valor de: 1º Classificado: R$ 1.033,04; 2º Classificado: R$ 839,35; 3º Classificado: R$645,65; 4º ao 10º Classificados: Menção Honrosa; e mais 20 Selecionados que farão parte da Antologia. Todos os classificados receberão Diplomas e 10 exemplares da antologia;

09 – O julgamento será realizado até o mês de setembro de 2008;

10 – Os concorrentes serão notificados do resultado pelo correio ou por e-mail, e por divulgação na Imprensa a partir da segunda quinzena de outubro;

11 – O simples envio das poesias implica na aceitação direta deste regulamento;

12 – Os trabalhos remetidos em desacordo com este Regulamento (falta de dados precisos, ou de difícil identificação, menor número de cópias, falta do disquete, etc) serão automaticamente desclassificados;

13 – A decisão do júri é irrecorrível e não caberão recursos;

14 – Os casos omissos neste regulamento serão resolvidos pela Comissão Julgadora e pela Coordenadoria Geral do X Prêmio Escriba de Poesia.

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maio 26, 2008 Posted by | Literatura | , , | Deixe um comentário

Leia trecho do livro “Cartas a uma Jovem Atriz”, de Marília Pêra

Uma série de conselhos para quem está às vésperas de decidir sua carreira – ou mesmo para quem está em dúvida sobre a que escolheu – é a tônica da coleção “Cartas a um Jovem”, do selo Campus-Elsevier, que tem sua mais recente publicação direcionada a jovens atrizes e assinada por Marília Pêra.

Reprodução

Capa do livro da coleção “Cartas a um Jovem” assinado por Marília Pêra

Entre os 16 volumes lançados até o momento, há “cartas” do estilista Alexandre Herchcovitch, do psicanalista Contardo Calligaris e do chef Laurent Suaudeau.

Em “Cartas a uma Jovem Atriz”, Marília Pêra narra momentos de sua vida e as experiências que teve – desde a infância, na qual se destaca a influência de seus pais, atores, em sua formação artística, até a fase adulta, quando o leitor pode tomar contato com um pouco da história da dramaturgia brasileira.

Leia a seguir trecho do livro.


Bela e jovem atriz,

Digo que você é bela porque todas as atrizes verdadeiras são belas e sei que é jovem porque sinto, por seus e-mails, que é uma menina…

Ainda não vi uma foto sua, mas imagino que Sonia, Hedda, Catarina, Helena, Margarida e tantos outros personagens de Tchekhov, Ibsen, Shakespeare, Machado de Assis, Millôr Fernandes, Roberto Athayde, Miguel Falabella, Manoel Carlos, Aguinaldo Silva, João Emanuel Carneiro e muitos mais devem habitar seu desejo inconsciente de aliar inteligência e dignidade à beleza da forma, de maneira tal que todos os homens, nas platéias e nas telas, se apaixonem por você. E todas as mulheres. E as crianças…

Eu não me achava bonita.

No comecinho da vida, sim, quando meus pais, Manuel Pêra e Dinorah Marzullo, também atores, comungavam a casa com o teatro e havia ali alguma harmonia.

Você me pergunta se, para ser atriz, é preciso ter o dom no sangue. Bem, no meu caso, fui preparada por meu pai e minha mãe para entrar em cena.

Minha primeira peça foi Medéia, de Eurípides. A companhia se chamava Os Artistas Unidos e era estrelada por uma atriz extraordinária, Henriette Morineau.

Nós todos a chamávamos de madame Morineau e sentíamos por ela uma mistura de amor e medo. Era “uma atriz trágica”, assim se dizia. Ela dirigia todos os espetáculos. As atrizes, antigamente, escolhiam o texto, produziam, dirigiam e estrelavam os espetáculos realizados por suas companhias de teatro.

As atrizes, hoje, escolhem o texto, produzem, estrelam, mas não têm vontade ou coragem de dirigir seus espetáculos em suas companhias de teatro; são mais dependentes, hoje, de um diretor, do que no tempo de madame Morineau, de Dulcina de Moraes e de Bibi Ferreira que, desde menina-atriz, era também diretora.

Só algumas se arriscam a dirigir, hoje. Sou uma delas.

Madame Morineau era trágica porque interpretava personagens sérios, mulheres angustiadas, misteriosas, doentes.

Havia uma peça que se chamava O Pecado Original, de Jean Cocteau, na qual ela interpretava uma mulher diabética que espetava a própria coxa com injeções de insulina. Era um personagem que exigia muito esforço físico e, ao final de cada espetáculo, madame Morineau permanecia uns quarenta minutos meio “desmaiada”, se recuperando no camarim, antes de se arrumar e receber o público que desejava cumprimentá-la.

Essa atriz “trágica”, aos sábados e domingos, às dez da manhã, colocava um nariz postiço, uma peruca preta desgrenhada, e se transformava na bruxa da peça infantil “O Casaco Encantado”, de Lúcia Benedetti. Meu pai era o bruxo; minha mãe, a princesinha; e eu, o pajem do Rei.

Depois do espetáculo infantil, almoçávamos e, mais tarde, às vezes, ensaiávamos – e à noite, meus pais, madame Morineau, eu e todo o elenco “recebíamos” nossos personagens trágicos de Medéia, ou nossos personagens extremamente “psicologizados” de Frenesi, de Charles de Peyret-Chappuis, ou conturbados, como os de “O Pecado Original” e do clássico de Tennessee Williams, “Uma Rua Chamada Pecado” – título que madame preferia ao mais conhecido “Um Bonde Chamado Desejo”.

Acho que pecado era uma palavra que interessava ao grande público: constava de dois títulos de espetáculos de sucesso da época.

Em “Uma Rua Chamada Pecado”, não havia papel de criança. Eu não entrava, mas assistia à encenação todos os dias das coxias, lugar mágico, minha escola de teatro.

Minha mãe, que tem 88 anos, não sabe ao certo se eu tinha quatro ou cinco anos quando estreei em teatro interpretando a filha de Medéia; portanto, pode ter sido em 1947 ou 1948.

Madame Morineau interpretava Medéia. Meu pai, falecido em 1967, era Jasão, marido de Medéia, e minha mãe interpretava “o coro” com outras duas atrizes: Margarida Rey e Antoinette Morineau, filha de madame Morineau.

Quando entrei em cena pela primeira vez, não tinha noção do que fazia, mas fazia direitinho o que me mandavam.

Tenho uma vaga lembrança de minha mãe colocando uma fita de cetim branco ao redor de minha cabeça e me vestindo uma túnica grega, também branca. Eu era um dos dois filhos de Medéia.

Creio que foi meu pai quem me deu as primeiras dicas para entrar em cena, embora a diretora fosse madame Morineau.

Eu tinha que entrar pelas mãos de um ator mineiro chamado João Ceschiatti, ao lado do meu “irmão”, o outro filho de Medéia.

Havia uma rampa no fundo do palco e os atores precisavam galgá-la para se tornarem visíveis ao público. Ceschiatti ficava ao centro, e eu e meu “irmão”, cada um de um lado. Essa rampa me parecia enorme, mas hoje, pensando sobre isso, imagino que meu ponto de vista de menina aumentava sua extensão.

Meus pais faziam parte dessa companhia de teatro que se apresentava por todo o Brasil com vários espetáculos. As peças das quais eu participava eram “Medeia”, “Frenesi” e “O Casaco Encantado”.

Acho que a cada semana se apresentava uma delas. Aos sábados e domingos, pela manhã, encenávamos “O Casaco Encantado” e havia algumas peças das quais eu não participava.

Meu pai era 24 anos mais velho do que minha mãe. Por isso, no teatro, ele era sempre marido ou amante de outras, enquanto minha mãe interpretava namorada de outros, ou criadinha sapeca, ou fazia parte do coro de belas.

Essa diferença entre meu pai e minha mãe – ele, sério, meio mal-humorado, e ela, brejeira, jovem, comunicativa – tinha alguma semelhança, em meu universo emocional, com as máscaras da tragédia e da comédia. Talvez por isso, pelo fato de precisar entender e amar duas pessoas tão diametralmente opostas, e porque passei a infância vendo os dois e outros grandes atores se dividindo entre os mais variados gêneros; desde que tive alguma consciência das coisas, acreditei que uma atriz verdadeira pudesse dar conta de todos os tipos de personagens, do trágico ao cômico, do musical à chanchada.

(Fonte: http://diversao.uol.com.br/ultnot/livros/trechos/2008/05/05/ult5747u8.jhtm)

maio 6, 2008 Posted by | Literatura | , , | Deixe um comentário