Universo Cultural

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Palma de Ouro vai para ‘prata da casa’ em Cannes

THIAGO STIVALETTI

Colaboração para o UOL, de Cannes

Após 21 anos sem receber a sua maior honraria cinematográfica, a França venceu em casa e foi a grande premiada do 61º Festival de Cannes. “Entre les Murs” (Entre as Paredes), de Laurent Cantet, apontado como favorito por UOL Cinema, recebeu a Palma de Ouro neste domingo, na cerimônia de encerramento do festival. O último francês que tinha conseguido a façanha foi “Sob o Sol de Satã”, de Maurice Pialat, em 1987.

AFP/ Anne-Christine Poujoulat

Laurent Cantet à frente do elenco de “Entre les Murs”, vencedor da Palma de Ouro

Ao entregar o prêmio para o diretor francês, Rober De Niro declarou: “Em 1976, estive aqui com um pequeno filme que acabou levando a Palma de Ouro, ‘Taxi Driver’, que concorreu com outras grandes obras como ‘O Inquilino’, de Roman Polanski, e ‘A Marquesa de O’, de Eric Rohmer. Acredito que o júri de Sean Penn tenha tido a mesma dificuldade para escolher os premiados entre filmes tão bons”.

O júri seguiu as indicações de Sean Penn, o presidente, na coletiva de imprensa inicial de que os prêmios contemplariam filmes políticos. “Entre as Paredes” retrata o dia-a-dia de um professor de cólegio que lida com alunos das mais diversas origens e etnias, em meio a problemas como a ameaça de expulsão da França vivida pelos imigrantes.

Antes da premiação, Penn anunciou que a Palma de Ouro, o mais importante prêmio do festival, e o vencedor do prêmio de melhor ator (Benicio Del Toro, por “Che”, de Steve Soderbergh) foram as únicas unanimidades entre os prêmios concedidos pelo júri.

Del Toro dedicou seus agradecimentos pela conquista a Soderbergh: “por ter me ajudado todos os dias a encontrar energia para o personagem”, declarou.

A Itália também foi agraciada pelo festival. Os dois filmes que concorriam pelo país saíram premiados. “Gomororra”, de Matteo Garrone, recebeu o Grande Prêmio do Júri (segundo mais relevante) e o político “Il Divo”, filme sobre ex-primeiro-ministro Giulio Andreotti de Paolo Sorrentino, ficou com o Prêmio do Júri (distinto do anterior).

Elogiado ao longo do festival, “Os Três Macacos” proporcionou ao cineasta turco Nuri Bilge Ceylan o prêmio de direção. “O Silêncio de Lorna”, dos irmãos belgas Dardenne, levou o prêmio de roteiro.

Foram entregues ainda dois prêmios honorários pela conjunto da obra: à atriz francesa Catherine Deneuve – do elenco do concorrente “Um Conto de Noel”, de Arnaud Desplechin – e ao diretor americano Clint Eastwood, que concorreu à Palma de Ouro com “The Exchange” (A Troca). A ausência mais sentida entre os premiados foi a animação israelense “Valsa com Bashir”, bastante aplaudido em suas sessões.

Brasil Premiado

É bem verdade que “Linha de Passe”, que aparecia com boas cotações entre os críticos, era cogitado para sair de Cannes com alguma premiação, como de roteiro. Mas o prêmio de melhor atriz para Sandra Corveloni foi uma completa surpresa para os diretores brasileiros Walter Salles e Daniela Thomas, que receberam o prêmio em nome da intérprete, que não acompanhou o elenco do filme por causa de problemas pessoais.

Em francês, Walter Salles agradeceu: “Estou orgulhoso de fazer parte de uma profissão na qual possa colocar toda minha nação em uma tela”.

Daniela Thomas fez uma reverência diretamente à atriz em sua declaração em português: “Querida, você não pôde vir com a gente a Cannes, mas seu espírito sempre esteve conosco”. E completou, em inglês, para toda a platéia, que o prêmio vem em boa hora para a vida da atriz que sofreu recentemente o duro golpe da perda do bebê que esperava, e por isso não participou do evento.

Depois de “A Festa da Menina Morta” não vencer nenhum prêmio na disputa da seleção da mostra “Um Certo Olhar”, Matheus Nachtergaele perdeu sua última chance de sair premiado em Cannes. O “Câmera de Ouro”, estímulo dado novos cineastas, foi para “Hunger” (Reino Unido), de Steve McQueen, que concorria com outros 21 filmes de estréia na direção em todas as mostras do festival.

(Fonte:http://cinema.uol.com.br/cannes/ultnot/2008/05/25/ult5900u41.jhtm)

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maio 25, 2008 Posted by | Sem-categoria | , | Deixe um comentário

Em Cannes, Rodrigo Santoro defende o cinema brasileiro

Flávia Guerra, enviada especial a Cannes

'Leonera'

Santoro lança seu novo filme: ‘Leonera’

CANNES, França – “Estou muito feliz de estar aqui com dois filmes. É um momento muito especial para o cinema brasileiro e latino-americano. E saiba você que o cinema brasileiro não é todo feito para ser globalizado e internacional. Ha muitos filmes que não são feitos pensando no mercado. Um deles, que recomendo a você, é A Festa da Menina Morta, de um grande ator chamado Matheus Nachtergaele. Ele concorre aqui e passa no dia 21 na sessão do Certain Regard. Não perca”, disse Rodrigo Santoro nesta quinta-feira, 15, em Cannes.

O ator respondia a um jornalista que, na coletiva de imprensa de seu mais novo filme, Leonera (do argentino Pablo Trapero, diretor de filmes como de Familia Rodante, que concorre a Palma de Ouro), comentou: “Parabéns ao cinema argentino. Diferentemente do cinema mexicano e brasileiro, ainda consegue fazer bons filmes locais e não se render “à internacionalização”.

Em Leonera, Rodrigo faz o papel de Ramiro, um rapaz apaixonado por Julia (Martina Gusman) que, por amor, acaba cometendo um crime. Ramiro e Julia vão para a prisão. E Julia acaba dando a luz a um menino. “Foi uma preparação interessante. Porque tenho poucas, mas significativas, cenas no filme. Estabelecer a relação entre Ramiro, Julia e um filho menino que nasce em uma prisão em tao pouco tempo na tela foi um desafio muito bom”, comentou o ator.

Como explicou Rodrigo, é sobre os primeiros anos de vida do filho que Julia tem na prisão, e de como criar uma criança no ambiente hostil de uma cadeia, que Leonera fala com delicadeza e sem apelar para a pieguice. “Depois que eu tive meu filho, passei a prestar mais atenção a este universo. E quis também falar desta relação, esta ligação única, que só as mulheres têm. A relação entre pai e filho é muito diferente da entre mãe e filho”, declarou o diretor argentino, um dos nove realizadores do país que estão exibindo seus filmes em Cannes. “Fico também muito feliz com a boa fase do cinema argentino, latino-americano, e também do brasileiro. É importante ter esta janela para o mundo.”

Rodrigo, que também vive Raul (o irmão de Fidel Castro) em Che, super produção de Steven Soderbergh (que será exibido no dia 21), contou que ainda não viu este novo filme, mas que está ansioso. “Ouvi coisas ótimas a respeito. Mas Steven ainda não mostrou para a gente. Vou ver com todos, na sessão para o público”, contou o ator, que na quarta-feira à noite prestigiou a festa de Blindness, de Fernando Meirelles.

Após a sessão de gala, que rendeu mais de cinco minutos de aplauso ao filme de abertura do festival, Meirelles e equipe jantaram no Hotel Carlton e receberam os convidados em uma festa na praia. O espaço da Plage do Carlton contou com a presença de Julianne Moore, Alice Braga, Danny Glover, Gael Garcia Bernal e outros. E o filme saiu com gosto de, como observou o jornalista chileno, “cozinha internacional”, mas de altíssima qualidade.

(Fonte: http://www.estadao.com.br/arteelazer/not_art173094,0.htm)

maio 15, 2008 Posted by | cinema | , , , , | Deixe um comentário